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	<description>Ideias, crônicas, contos, poemas... Enfim, aspirações em literatura.</description>
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		<title>Árvore</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 14:37:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritabraga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ilustrações]]></category>
		<category><![CDATA[Árvore]]></category>
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		<description><![CDATA[::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Publicado em Ilustrações Tagged: Árvore, lápis de cor, Natureza, Verde<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritabraga.wordpress.com&amp;blog=7785290&amp;post=38&amp;subd=ritabraga&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-37" style="border:0;margin:0;" title="arvore9" src="http://ritabraga.files.wordpress.com/2009/05/arvore9.jpg" alt="arvore" width="500" height="715" /><br />
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::</p>
<br />Publicado em Ilustrações Tagged: Árvore, lápis de cor, Natureza, Verde <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ritabraga.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ritabraga.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ritabraga.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ritabraga.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ritabraga.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ritabraga.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ritabraga.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ritabraga.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ritabraga.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ritabraga.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ritabraga.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ritabraga.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ritabraga.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ritabraga.wordpress.com/38/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritabraga.wordpress.com&amp;blog=7785290&amp;post=38&amp;subd=ritabraga&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>No meio do caminho</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 12:10:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritabraga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[O que vou contar aqui parece coisa de gente maluca. Mas não sou louca, acredite! Às vezes até chego a sentir que sou, mas já me disseram que isso é normal. Então, se sou louca, pelo menos não sei que sou. Acontece que eu gosto de pensar em coisas que nem todo mundo  assume que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritabraga.wordpress.com&amp;blog=7785290&amp;post=29&amp;subd=ritabraga&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que vou contar aqui parece coisa de gente maluca. Mas não sou louca, acredite! Às vezes até chego a sentir que sou, mas já me disseram que isso é normal. Então, se sou louca, pelo menos não sei que sou.</p>
<p>Acontece que eu gosto de pensar em coisas que nem todo mundo  assume que pensa.</p>
<p>Se eu contar esta história você vai entender.</p>
<p>É uma história sobre uma pedra que um dia eu encontrei bem no meio do meu caminho, numa calçada, aqui, perto de casa.</p>
<p>“Não seria nada” – pensei. Não a tirei dali.  Nem a atirei em ninguém. Apenas parei por um infinito instante e olhei. Mais que isso! Olhei, vi e ouvi&#8230; Vi a pedra e um silêncio esquisito da pedra.</p>
<p>Ela estava ali. Parada, quieta, pedinte e imponente. Toda mineral. Nem sei por que motivo pensei tanto nela&#8230; Acho que ela me lembrou alguém&#8230; É. É verdade! Aquela pedra estava quieta e parada do mesmo jeito que minha mãe fica de vez em quando. Mas a pedra não é minha mãe, nem minha mãe é a pedra.</p>
<p>Cheguei mais perto. Cabe dizer que a pedra não me parecia tão grande, nem pesada&#8230; porém as formiguinhas em volta nem tinham noção do que seria aquela parede imensa. Aquela fatalidade. Aquele acontecimento.<br />
É claro que eu, vendo tudo, não poderia fingir que não vi. Ali estava. Ainda que nenhuma outra pessoa reparasse na sua silenciosa intimidade de pedra – ali estava ela. Ela ousava existir.</p>
<p>Não sei por que, nem para quê.  Mas ela estava ali.</p>
<p>Procurei mudar meu pensamento, caminhando adiante. E veio-me a imagem de minha mãe. O que será que de vez em quando a fazia ela ficar assim, com olhos de pedra?</p>
<p>Lembrei que havia muitos problemas acontecendo. Coisas de gente grande, que, embora eu não entenda ainda, sei que também estão ali e existem. Ficam no caminho das pessoas e as tornam silenciosas como as pedras. Você já viu alguém assim? Pensando sem saber em quê? Se não viu, repare. A gente simplesmente pergunta para a pessoa:</p>
<p>- Que foi? No que você está pensando?</p>
<p>E a pessoa responde mais simplesmente ainda:</p>
<p>- Nada&#8230;</p>
<p>E, por um mistério, sabemos que há tanta coisa escondida naquele “nada”&#8230; – pois todo nada é preenchido pelo mais denso e convulso silêncio.</p>
<p>Sabe o que é “convulso”?<br />
Sabe o que é “denso”?<br />
Vá procurar no dicionário&#8230; Eu espero.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Pois, então, já sabe? O silêncio da pedra também é assim&#8230; Agitado e carregado de coisas que não percebemos.<br />
(A essa hora você já está me chamando de louca,  não é?&#8230; Espere,  mal comecei minha história&#8230;)<br />
Posso continuar falando da minha pedra? Vou continuar de qualquer jeito. Porque mesmo sendo somente uma pedra, eu já olhei para ela e comecei a pensar. Já não posso esquecer que vi aquela pedra e que sendo alguma coisa, ela já é o suficiente para me fazer pensar muito.</p>
<p>&#8230;<br />
Ela é uma pedra no meio do caminho de alguém. Esse alguém, que assim como a pedra, nem sempre é notado, sou eu.<br />
Será por isso que gostei daquela pedra?<br />
Pode ser. Não seria a primeira vez que gosto de alguém que se parece comigo&#8230; Sou quase pedra.<br />
Às vezes fico muito tempo no mesmo lugar. A diferença entre nós é que eu posso escolher andar. Ela, não.  <br />
Eu não dependo da vontade dos outros&#8230; – talvez dependa “um pouquinho” de vez em quando, mas não sempre.</p>
<p>&#8230;<br />
Ah, sim! Voltando à história: a pedra ficou tão forte na minha memória que acabei interrompendo minha caminhada. Sentei-me a um canto e olhei a pedra. O “meu caminho” não era só meu. Era o caminho de muitas outras pessoas que passavam diariamente por ali, por isso quis saber se as outras pessoas notariam minha pedra naquele lugar.<br />
Pois bem, um homem de terno e gravata passou apressado e, por sorte ou mistério, não tropeçou no obstáculo colocado ali. Não sei se ele a viu. Se não viu, não sei o que o fez desviar o seu passo de maneira tão precisa.<br />
Eu esperei mais um pouco e vi uma garotinha sorrindo ao ver minha pedra&#8230; Não é que ela correu a seu encontro e ali brincou por alguns instantes com outras pedrinhas menores que carregava consigo!? Ela riu. Riu! Riu de si e de uma pedra! E eu que a olhei tanto, ainda não conseguia sorrir.<br />
Claro que eu não entendia a diversão obscena daquela menina. Mas ela também, num dado momento, guardou seu riso, suas pedrinhas e saiu, calada. Aparentemente, sem saber ser vista.<br />
Depois, vi também dois jovens que chamaram minha pedra de “rocha”. Imagine que deram a ela sobrenomes complicados que eu não saberia repetir. E, ainda que eu soubesse, eu não os repetiria, pois não me servem de nada. Para mim, ela é Pedra. E isso basta.</p>
<p>&#8230;<br />
É verdade que você poderia contar diferente. Você pode. Mas esta é a minha história&#8230; ou melhor,  é a história da minha Pedra. Mesmo que as histórias que escrevo não são tão minhas,  são muito meus os sentimentos que em mim elas despertam.<br />
Pois é.</p>
<p>&#8230;<br />
Fiquei ali mais um tempo. Enquanto ninguém passava, meu pensamento era ela; ela – simples pedra no caminho de alguém.</p>
<p>Quem é alguém diante dela?</p>
<p>O fato é que no meu caso, cheguei há tão pouco no mundo&#8230; vi tão pouco e,  além disso,  possuo entre as muitas fraquezas de minha espécie a fragilidade e a tolice de ser mole demais.</p>
<p>Eu aqui, pensando sobre ela – e ela, calada, estaria pensando em mim?</p>
<p>Os dois rapazes que a apelidaram de “rocha” certamente contestariam a possibilidade de a pobrezinha pensar. Mesmo assim, não me morre a hipótese: se ela pensasse, como seria?</p>
<p>Além disso, talvez eles com óculos e livros, soubessem melhor de onde veio aquele pequeno monumento natural. Talvez achassem por isso que sabiam mais do que eu&#8230; Afinal, saber de onde se vem e para onde se vai são mistérios eternos no mundo até para uma pedra. Concentro-me no questionamento: “para que fim” ela estaria ali?</p>
<p>Única, parada, à mercê dos encontros e acasos, minha pedra já era Pedra e estava ali,  concreta e evidente na rua. No entanto, havia a forte impressão de que ela só existia em mim.</p>
<p>&#8230;<br />
Para meu susto, alguém – um instinto ou uma ignorância – chutou a Pedra. Não sei descrever o que foi aquele ato: uma agressão mútua. Diria até, coletiva. Éramos pé, Pedra, chão e eu. É. Admito que tomei parte naquele ato. Naquele chute também sofri&#8230; e sei que meu incômodo pensamento sobre a Pedra também pode agredir alguém. Sobretudo, àqueles que mesmo com a cabeça baixa nunca ousaram olhar sequer para o chão. Mas o que posso fazer se eu olhei?!</p>
<p>&#8230;<br />
Depois do chute, do choque, do espanto, vi que a posição da Pedra era outra – mas ainda estaria no meio do caminho de quem passasse por ali.</p>
<p>E a vida é assim: a gente passa.</p>
<p>Por ali, passou um homem. Um homem que silencioso e gritante em doçuras na alma, vinha pacífico por aquela esquina.</p>
<p>Alguém com a talentosa sorte de ser “ele” e não ser “eu”. Eu não podia negar a grandeza daquele tímido e ousado olhar. Tenho ciúme. Confesso. Insegurança real e explicável, se ele a levasse, o que seria de mim?</p>
<p>&#8230;<br />
Ele olhou minha Pedra como quem alumbra o divino.</p>
<p>Pudera&#8230; Afinal, era do tipo de gente que tem na cabeça mais pensamentos do que fios de cabelo. Alguns pensamentos grisalhos, outros, novos, sedosos,  compridos&#8230; ora rebeldes,  ora bem comportados. </p>
<p>Aquele homem, hoje eu sei, entendeu tudo.</p>
<p>Cá entre nós, ele alcançou em palavras o silêncio de pedra que não consigo alcançar. Eu ouvi a voz viva da pedra. Vi que no meio da pedra havia um caminho de pensamentos que somente quem não sabe ser louco, consegue pensar, sentir, e enxergar.</p>
<p>&#8230;<br />
Confesso que também já fechei livros&#8230; Sei bem como é. Não sei se adiantaria argumentar que as histórias surgiram no momento em que ousei abri-los e enfrentá-los até o fim.  De qualquer forma, terá um pouco de razão quem disser que isso é meu e não interessa a ninguém. É verdade. Escrevo somente porque é tão meu que não cabe mais em mim. Tudo isso me transborda à medida  que encolho e envelheço no tempo. Não sou pedra. Não vou durar tanto. Preciso passar adiante o que vi ali.</p>
<p>Enfim, era isso: o homem – vivo, racional e sensível – parado solene diante da Pedra que já era alguém para mim.<br />
Como continuar essa história se aquela pedra era agora olhada por outro?<br />
Adianta dizer que aquele homem era dotado de mais minérios do que eu?  Era mineiro. Mineiro de uma cidadezinha qualquer. Mineiro de Itabira. </p>
<p>Ele parou. Olhou. No meu espanto não sei dizer se anotou qualquer letra em papel. Sei apenas que deixou ali nossa Pedra. Deixou-a, ciente de que outros passariam por ali.</p>
<p>Por certo, o gesto mal parecia uma escolha. Restava-me a obrigação sincera de me erguer e erguer meu olhar. Dar meus passos e avistar adiante, pela mesma calçada. Com o eco silencioso deste fato recém-passado… e com olhar aberto a qualquer plantinha imprevista que ousasse brotar no concreto. Qualquer flor minúscula que me arrancasse da pedra&#8230; Há tanta coisa no mundo, não é?</p>
<p>Não estão a meu alcance os silêncios de pedra.</p>
<p>Ah&#8230; Se eu pelo menos tivesse um nome como Carlos ou Clarice&#8230; Seria uma honra, um absurdo e um gracejo feliz, mas não uma solução.</p>
<p><em>São Paulo, novembro 2007.<br />
R. B.</em></p>
<br />Publicado em Textos  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ritabraga.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ritabraga.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ritabraga.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ritabraga.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ritabraga.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ritabraga.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ritabraga.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ritabraga.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ritabraga.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ritabraga.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ritabraga.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ritabraga.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ritabraga.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ritabraga.wordpress.com/29/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritabraga.wordpress.com&amp;blog=7785290&amp;post=29&amp;subd=ritabraga&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Rita Braga: A arte de voar</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 11:49:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritabraga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Depoimentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Cláudio Tozzi (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritabraga.wordpress.com&amp;blog=7785290&amp;post=3&amp;subd=ritabraga&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por Oscar D&#8217;Ambrosio</em></strong></p>
<p>“Não vemos as coisas como elas são e sim como nos parecem”. Esse pensamento do Talmud pode ser aplicado ao trabalho plástico de Rita Braga. Suas colagens, apropriações e desenhos com nanquim revelam justamente a capacidade de ver o mundo sob um prisma original, oferecendo ao observador de seu trabalho a possibilidade de refletir sobre a realidade de uma maneira renovada.</p>
<p>Entre as técnicas apresentadas pela jovem artista, a sua habilidade com a colagem logo desperta atenção. Suas obras evocam o mestre Henri Matisse, que chamava o seu processo criativo de “desenho com tesouras”. É exatamente o que Rita faz. Corta figuras em papéis coloridos e cria as mais diversas imagens, com numerosas leituras, geralmente ambíguas em jogos de integração entre a figura e o fundo.</p>
<p>Suas composições impressionam pela habilidade de resolver questões de composição em poucos movimentos. A idéia geralmente já surge bem nascida, bastando encontrar a melhor forma de concretizá-la – o que é feito com admirável regularidade na qualidade do material apresentado.</p>
<p>Nascida em Guarulhos, SP, Rita reside na cidade de São Paulo desde 2001 e teve seus primeiros contatos com arte no ateliê de Tigr Orlow e na Viveka Escola de Artes. Com licenciatura em Hebraico e Português na USP, além de disciplinas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e na Escola de Comunicações e Artes, todas na USP, foi  criando um repertório visual e literário que inclui por exemplo o estudo de Literatura Infantil e Juvenil, o que desenvolve a possibilidade de ilustrações na área.</p>
<p>As ilustrações em pequenos cartões, com nanquim, lápis de cor e grafite, em boa parte realizadas nas performances “Arte Postal Itinerante”, em que, com Sidnei Akiyoshi, abordavam pessoas na região da Avenida Paulista, em São Paulo, SP, com trabalhos em pequeno formato, mostram ampla capacidade de tratar de diversos temas de formas bem distintas.</p>
<p>De modo geral, a temática das janelas surge  em sucessivas manifestações. Seja com uma imagem por trás ou como uma alternativa de escape para variados personagens. As janelas aparecem como um universo em que podem surgir novas possibilidades de visualizar o mundo.</p>
<p>A imagem de seres urbanos também se faz bastante presente, seja em cenas noturnas ou em colagens em que sucessivos perfis metropolitanos são associados de modo a oferecer diversas paisagens da cidade, tanto dos edifícios como da movimentação de pessoas, principalmente com o fundo em papel preto.</p>
<p>Figuras que parecem despegar do solo também aparecem, seja nas colagens ou nos desenhos em nanquim. Um caso característico é Menino árvore, em que as pernas/tronco firmemente presas ao chão contrastam com os braços/galhos em busca do céu.</p>
<p>Esse movimento verticalizado que lembra o sonho do mítico personagem grego Ícaro de atingir o sol, que terminou em tragédia devido a sua incapacidade de seguir o conselho paterno de voar entre a água salgada e o sol escaldante ambos igualmente perigosos para suas asas de penas grudadas com cera e sua mente jovem e desmedidamente ambiciosa.</p>
<p>Acumuladora por natureza, Rita se vale dos recortes e da colagem também para a critica social, principalmente nas imagens que constrói com caixas de anticoncepcionais na figura de homens segurando cruzes nas mãos. A combinação das imagens com as palavras das próprias embalagens constroem um universo em que a apropriação da realidade para fins poéticos se torna evidente.</p>
<p>Saber ver as coisas como lhe parecem é o grande mérito de Rita Braga. Ela não acredita naquilo que está ao seu redor e que a maioria enxerga. Recorta, cola, desenha, pinta, desmonta/monta e cria o próprio mundo. Como artista plástica que é, busca o ilimitado. Tal qual Ícaro, busca os céus, mas, ao contrário dele, se mantiver o cérebro livre para criar e as mãos livres para recortar, desenhar e pintar, poderá permanecer voando ao longo de sua promissora carreira.</p>
<br />Publicado em Depoimentos  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ritabraga.wordpress.com/3/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ritabraga.wordpress.com/3/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ritabraga.wordpress.com/3/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ritabraga.wordpress.com/3/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ritabraga.wordpress.com/3/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ritabraga.wordpress.com/3/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ritabraga.wordpress.com/3/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ritabraga.wordpress.com/3/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ritabraga.wordpress.com/3/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ritabraga.wordpress.com/3/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ritabraga.wordpress.com/3/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ritabraga.wordpress.com/3/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ritabraga.wordpress.com/3/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ritabraga.wordpress.com/3/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritabraga.wordpress.com&amp;blog=7785290&amp;post=3&amp;subd=ritabraga&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Clipes, palitos e ausências</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 11:40:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritabraga</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há um poema do Quintana que diz “a vida é isso, quando se vê já são seis horas”&#8230; hoje, esse verso que normalmente me levaria a pensar no ocaso da vida, parece tão concreto que até dói!   Não falo de idade, nem de reflexões tenebrosas sobre o aproveitamento dos dias&#8230; Apenas sinto essa aflição já [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritabraga.wordpress.com&amp;blog=7785290&amp;post=17&amp;subd=ritabraga&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há um poema do Quintana que diz “a vida é isso, quando se vê já são seis horas”&#8230; hoje, esse verso que normalmente me levaria a pensar no ocaso da vida, parece tão concreto que até dói!   Não falo de idade, nem de reflexões tenebrosas sobre o aproveitamento dos dias&#8230; Apenas sinto essa aflição já recorrente nas tardes de terça: o tempo corre e ainda não escrevi minha crônica.</p>
<p>Quem me conhece sabe o quanto não escrever causa uma ausência em mim mesma. Pior ainda, perceber que passo o dia inteiro escrevendo as idéias dos outros e como uma carrasca mando minhas idéias se calarem, para que não atrapalhem o trabalho. Ah&#8230; mas são teimosas! Se à tarde ando pelas ruas a passos paulistanos, ouço os sussurros dos flashs pedindo palavra.</p>
<p>Imaginem que um dia desses, busquei um exercício de concentração, e caí num exercício contrário, de divagação: andando pela rua, comecei a reparar nos clipes no chão. Aliás, para quem não sabe, no lixo recorrente da cidade, os clipes estão em segundo lugar&#8230; o primeiro, é claro, pertence às bitucas de cigarro. Mas o número de clipes espalhados pelo chão de São Paulo chega a ser impressionante. Daí surgem aquelas teorias brincalhonas, de que tudo o que você perde, vira um clipe. Até que faz sentido&#8230; Todo mundo perde guarda-chuva, chave, nota fiscal, ticket de estacionamento&#8230; Mas é raro ver gente comprando clipes. Clipes a gente acha, pega e guarda. Quando é preciso, sempre se tem um à mão.</p>
<p>Pois é&#8230; além de úteis, nesse sentido prático do cotidiano, os clipes se tornaram para mim guias poéticos da cidade. Já repararam que o clipe tem o formato de seta?  Acho merecido o prêmio de design que concederam ao cara que pela primeira vez entortou esse araminho&#8230;   Hoje, quando olho para um deles no chão, quase instintivamente meu olhar acompanha a seta e cai num sussurro intimista da cidade. Por exemplo, olhei pra um clipe que apontava um homem com um jornal, mas o homem não olhava o jornal&#8230; sem receio ele olhava as pernas da moça que olhava o brinco na banca do camelô. Já o camelô, distraído, lamentava a falta de dinheiro, perdendo a freguesa por não prestar atenção à banca.</p>
<p>Enquanto isso, eu ando&#8230; E quem não anda atentamente distraído na corrente de São Paulo? A gente sempre tem pressa e olha pra tudo e pra nada ao mesmo tempo – e os pensamentos do relógio corrido, da conta no banco, do horário da aula&#8230; são desalinhados por qualquer moeda, pocinha de água ou palito de fósforo mesmo&#8230; Tem dia que qualquer coisa arremessa o tempo pra dentro da gente. E num dia como hoje, acho que isso foi bom&#8230; Afinal, quem nunca deixou pra escrever a crônica na última hora, que me atire a primeira pedra!</p>
<p>Imaginem que um palito, me fez lembrar de um “mágico” que conheci na infância: um mágico caipira, de pele tostada pelo sol! Meu tio Vanildo era bóia-fria. Apanhava café nos roçados do sul de Minas Gerais. Lembro-me da primeira vez que eu o vi. Mal cheguei à casa de minha avó, também desconhecida, e topei com ele&#8230; um gigante magro e queimado, olhando sério e silencioso para a minha miudeza gordinha de 5 anos. Mesmo agora recordo-me de cada detalhe daquele dia. É que a camisa branca dele, naquela sala escura, parecia uma luz, um fantasma, uma espécie de assombração! Parei quieta – naquele tempo eu já não falava, mas sinto que só ele percebeu isso. Logo ele fez um sinal delicado pra que me sentasse no sofá. Pois bem, pegou no bolso uma caixa de fósforos e enquanto a abria, pigarreou, ecoando um arremedo de voz no vazio da casa. Olhei em volta. E  quando meu olhar retornou àquelas mãos secas, grossas e tostadas na “panha” do café, ele estava enrolando cuidadosamente um palitinho na barra da camisa.</p>
<p>Talvez não acreditem, mas tenho até hoje a lembrança do meu esforço para não piscar! Conversávamos com os olhos&#8230; Quem dera eu pudesse explicar como foi que entendi a ordem para quebrar aquele palito escondido na barra da camisa. Só sei que com as mãos juntas, o quebramos. Senti o estalo. Guardo mais a delicadeza áspera daquelas mãos grossas, do que o tato no palito em si.</p>
<p>Daí, com as sobrancelhas arqueadas, ele me apontou o milagre: desenrolou cuidadosamente aquele cantinho da camisa e me deu o palito inteiro! Com o coraçãozinho disparado, corri a procura meu pai. Mas antes de sair, parei na porta, na varanda, e o olhei de novo: aquele homem extremamente magro, hoje eu sei, tinha um porte tão delicado, ereto, e cruzava as pernas de um jeito que nunca consegui fazer. Pitava um cigarrinho de palha como se fosse um artista de cinema!</p>
<p>É claro que essa memória me fez perder o fio da meada, e rumo da prosa&#8230; Aquilo veio comigo o dia todo, por causa de um palito de fósforo que vi chão. Porém, na pressa, logo hoje que senti vontade de falar, não achei quem escutasse.<br />
Quando vi já era hora de pegar o metrô. Enfrentei a contra-corrente subterrânea da Estação da Luz, para chegar ao curso e comentar meus palitos e clipes com essa gente esquisita como eu – gente metida a revelar os olhares que bem no fim das contas, não interessam a mais ninguém.</p>
<p>Mas não é que chegando no curso, encontrei a nova surpresa&#8230; A porta fechada, o banquinho do jardim vazio e um novo silêncio no qual pensar. Olhei para a porta e fiquei escutando o jardim. Digamos que eu esperava ouvir os passinhos da Betty chegando pelas pedras, ao lado da sala. Um “oi” atrasado do Lucas. Esperava um “boa noite” de alguém&#8230; um “olá”.</p>
<p>Nada. Nem um sinal de fumaça do cigarro do Gilson.</p>
<p>Minha terça se calou aqui, apenas com o sussurro dessa crônica, meio vaga e confusa&#8230; pedindo para ser escrita e passada por debaixo da porta.<br />
<em>São Paulo, outubro de 2008.<br />
R.B.</em></p>
<br />Publicado em Crônicas Tagged: ausências, bóia-fria, Clipes, mágico, Mário Quintana, palitos, Quintana <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ritabraga.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ritabraga.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ritabraga.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ritabraga.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ritabraga.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ritabraga.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ritabraga.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ritabraga.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ritabraga.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ritabraga.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ritabraga.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ritabraga.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ritabraga.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ritabraga.wordpress.com/17/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritabraga.wordpress.com&amp;blog=7785290&amp;post=17&amp;subd=ritabraga&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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